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Sou Ailton Carmo dos Santos, filho de Edna Souza do Carmo e José Henrique dos Santos e moro em Lençóis desde que nasci. Sou um rapaz que começou a vida de trabalho com 6 anos de idade, pois tinha muita vontade de ajudar meus Pais. Comecei como vendedor de geladinho que a minha Mãe fazia para eu vender no Campão quando o meu pai, que era juiz de futebol, ia apitar jogos, mas na maioria das vezes eu vendia o geladinho na rua mesmo. Logo depois fui chamado para vender picolé nas ruas de Lençóis, e eu fui, porque sempre gostei de trabalhar. Fui uma criança que, apesar das dificuldades financeiras, fui muito feliz com a família que Deus me ofereceu e sou muito grato por tudo.

J√° em casa, eu e meu irm√£o brinc√°vamos de capoeira com meu pai antes de come√ßar a praticar a arte. Em 1992, aos 5 anos de idade, junto com o meu irm√£o Jos√© Carlos Carmo Dos Santos, come√ßamos a treinar capoeira com meu mestre ‚ÄúCascudo‚ÄĚ. Logo depois minha irm√£ Geisa do Carmo dos Santos tamb√©m come√ßou a treinar, mas ficou por pouco tempo. Ednalva n√£o jogou capoeira, mas era uma pessoa que me ajudava em tudo que eu precisava dentro e fora de casa.

Durante alguns anos de capoeira tive v√°rios apelidos, e como eu pulava muito fui chamado de ‚Äúpipoca‚ÄĚ por um dos professores da √©poca, e ‚ÄúIo‚ÄĚ por minha fam√≠lia. Na Capoeira tivemos uma grande dificuldade por n√£o ter um lugar adequado para treinar. Treinamos em v√°rios lugares; no mercado, no clube,  na boate e na liga esportiva, mas gra√ßas a Deus conseguimos a nossa academia. O tempo foi passando, eu me formei e  peguei a gradua√ß√£o de monitor de capoeira  em 2001, come√ßando a trabalhar nas escolas como volunt√°rio junto com meu irm√£o ‚ÄúZ√©‚ÄĚ, apelidado pela fam√≠lia e ‚ÄúCarlos Meia-Lua‚ÄĚ na Capoeira. Durante meu trabalho de volunt√°rio na escola tive v√°rios alunos que marcaram a minha vida; Delvan,Vinny, Osvaldo, Daniela, Cau√™, Natal√≠cio, D√©lio, Rafael, Thiago, J√≥ e Samira. Juntos, formamos uma equipe de Maculel√™ e samba de roda para apresenta√ß√Ķes que arrecada dinheiro para manter a Associa√ß√£o de Capoeira Corda Bamba, junto com os professores Saci, Gavi√£o, Nilton, alunos e o mestre. 

No batizado de 2006, meu mestre me graduou como professor e trocou meu apelido para professor ‚ÄúCoquinho‚ÄĚ. Em 2007 fui morar na B√©lgica com meu irm√£o para trabalhar com Capoeira, Maculel√™ e Samba de roda por quatro meses. Durante a minha estadia na B√©lgica recebi um email de um aluno do Brasil, Delvan, conhecido na Capoeira como ‚ÄúQuilombola‚ÄĚ, falando dos testes para um filme chamado Besouro, que ia passar em v√°rias academias escolhendo capoeiristas para fazer o filme. Quando retornei ao Brasil para fazer o teste com o intuito de ser um simples capoeirista da roda de Capoeira e mostrar √† minha m√£e o pr√≥prio negro representando a sua cultura, acabei passando por nove sofridos testes e gra√ßas aos meus conhecimentos nessa arte consegui ser o ator principal do filme. Hoje, ap√≥s a exibi√ß√£o do filme baseado na hist√≥ria de Manoel Henrique Pereira ‚ÄúBesouro‚ÄĚ em todo o Brasil, bem como em outros pa√≠ses por esse mundo, fiquei mais conhecido. 

Hoje tenho 26 anos e ainda sou conhecido aqui em Len√ß√≥is como professor Coquinho, mas logo ap√≥s ser o protagonista do filme meus alunos passaram a me chamar de professor Besouro. O reconhecimento obtido ap√≥s minha participa√ß√£o no filme foi ben√©fico n√£o s√≥ para mim, mas para todo o Grupo Esquiva, n√£o s√≥ com um aumento significativo no n√ļmero de alunos, como tamb√©m com o aumento no n√ļmero de convites para eventos de Capoeira.

Hoje sou um rapaz de sorte por ter meus Pais, que sempre foram um exemplo de vida não só para mim, mas para todos os meus irmãos, e uma família que me ajudou e ajuda muito e está sempre ao meu lado para tudo que precisar. Sou muito feliz e agradeço a Deus por tudo por tudo que tenho hoje.

Lençóis, Bahia, agosto de 2013

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